Declaração do IRPF 2019: planejar para melhores resultados

Como todos sabemos em março se inicia a nova temporada de entrega das DIRPFs. Para alguns contadores esse período é um sofrimento, muito trabalho, muita dor de cabeça com clientes ruins e jornadas de trabalho intermináveis, mas para outros trata-se de uma grande oportunidade de receitas extras, sendo encarado como o “natal do contador”. Não digo que esse não seja um período de muito trabalho, de stress ou de grandes desafios, mas o intuito aqui é de estimular a todos a tentar entender o que ou quais fatores podem diferenciar a percepção de cada um entre esses dois cenários apresentados e, quem sabe, ajudar nossos colegas a pensarem nas melhores atitudes a tomar para que tenham o melhor retorno possível dessa jornada, que, inevitavelmente, todos teremos que atravessar.

Acredito que, como todo trabalho, para uma melhor travessia, devemos preparar um bom planejamento. Devemos analisar as informações gerenciais referentes ao trabalho realizado no ano anterior e avaliar como foi o desempenho, identificando quais foram nossas principais dificuldades e problemas para pensar em formas de melhorar a operação para essa nova temporada. Podemos nos fazer algumas perguntas como:

  • Quem são e quantos são nossos clientes de DIRPF?
  • Quais foram nossas principais dificuldades enfrentadas?
  • O valor faturado (e recebido) dos honorários é condizente com o trabalho realizado? O ticket médio é razoável?
  • Tivemos muitos erros ou necessidades de retrabalho e retificações ao longo do ano?
  • Quem realizou o trabalho? Houve alguma distribuição de tarefas dentro do escritório?
  • Temos informações organizadas e suficientes para controle do trabalho realizado?
  • Como avaliamos o atendimento oferecido aos clientes? Simplesmente recebemos as informações e preenchemos as declarações ou nos dispusemos a analisar os dados, questionar sobre determinadas situações e oferecer sugestões de melhorias aos clientes?

Com base nas respostas aos questionamentos descritos acima podemos ter uma noção sobre como foi nosso desempenho e enxergar possibilidades de melhoria em nosso trabalho. Obviamente que aqui destacamos alguns questionamentos, mas cada um pode incluir as perguntas que quiser, desde que tragam boas informações como resposta. De uma coisa eu não tenho dúvida: sempre há possibilidades de melhorias.

Para traçar as estratégias desse novo período que se avizinha devemos nos fazer novos questionamentos:

Vamos dividir as tarefas necessárias para a execução das declarações com outras pessoas e fazer um trabalho em equipe ou manter isso centralizado na pessoa do Contador?

Eu acredito que se pudermos mapear o processo da declaração de IRPF poderemos identificar diversas oportunidades de contar com o auxílio de membros da equipe do escritório contábil ou mesmo de parceiros externos. Com a divisão das tarefas e o adequado treinamento de parte da equipe certamente passaremos a ter maior capacidade de atendimento de novos clientes, obtendo maior eficiência no trabalho e podendo aumentar nossa base de clientes atendidos, sem perder a qualidade na entrega.

Vamos manter a mesma base de clientes do ano anterior ou buscar alguma mudança?

Certamente podemos pensar em não atender mais aqueles clientes muito ruins que são desorganizados, que não estão interessados em fazer uma declaração adequada ou mesmo clientes que não estão interessados em ouvir nossos conselhos e que não estão dispostos a nos remunerar adequadamente pelo nosso trabalho. Nesses casos entendo que o melhor a se fazer é dizer não, limpando a base e abrindo caminho para a entrada de novos clientes, ou simplesmente, trazendo maior tempo de descanso ao contador ou ampliando o tempo para atendimento dos bons clientes.

Além disso, podemos avaliar a possibilidade de aumentar nossa base de clientes e atender não só os clientes já existentes na base de dados do escritório. Para aqueles contadores que já estão com a operação da DIRPF fluindo adequadamente e já entregam um trabalho de qualidade, entendo que existe a oportunidade de ampliação da carteira, buscando o aumento do faturamento e do retorno financeiro possibilitado por esse trabalho. As redes sociais como Facebook, Instagram e Google Adwords são importantes canais de prospecção para o recebimento da demanda de quem vai pesquisar em suas respectivas cidades.

Certamente existem outras possibilidades de se melhorar os processos e obter maior sucesso nas DIRPFs 2019, cabe a cada um de nós refletir sobre isso. Se não pararmos para pensar e planejar o trabalho, novamente seremos atropelados pelos acontecimentos e o sofrimento será inevitável. Então, aproveito a oportunidade para convidar a todos que participem dos debates que fazemos periodicamente na CONT através das nossas Mesas Redondas ou mesmo das Câmaras Setoriais de Contabilidade, promovidos pelo Sescon em nossa sede, para estimular a troca de ideias e de experiências, o que sempre enriquece nosso conhecimento.

Daniel Monteiro
Vice-presidente CONT
Daniel Pinto Monteiro é contador e administrador de empresas. Atuou por sete  anos como auditor contábil na Deloitte e, após esse período, resolveu empreender fundando sua própria empresa de serviços contábeis, na qual atua há 13 anos. Foi integrante do conselho fiscal da DAE S/A no biênio 2017/2018. Na CONT, atua como voluntário desde 2013, tendo sido Diretor Financeiro nas gestões 2013/2014, 2015/2016 e 2017/2018. 

 

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